Governadores querem resolver perda de arrecadação com ICMS até março
Grupo de trabalho se reuniu com os presidentes do Senado e da Câmara
Grupo de trabalho se reuniu com os presidentes do Senado e da Câmara
O grupo de trabalho de governadores que atua para construir
um acordo para que os estados e o Distrito Federal consigam a compensação de
recursos “perdidos” com as mudanças no ICMS (um imposto estadual) sobre itens
como combustíveis durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a
manhã desta quarta-feira (14) em Brasília reunido com os presidentes da Câmara,
Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
“É uma discussão que está avançada, mas ainda não finalizada,
mas faremos com todo o cuidado necessário para garantir que esse acordo seja
avalizado por todos os poderes, pela União, pelos 27 governadores, pelo
Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal”, disse o governador do
Piauí e coordenador do grupo, Rafael Fonteles.
Fonteles disse ainda que, embora avançadas, as conversas com
representantes dos Três Poderes têm divergências na fórmula de fazer os
cálculos entre Conselho Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do
Distrito Federal (Consefaz), que estima as perdas em R$ 45 bilhões, e o Tesouro
Nacional, que tem uma estimativa bem menor. As divergências, explicou o
governador, têm a ver com o gatilho que envolve a correção monetária e algumas
questões sobre metodologia em relação ao ano e ao semestre.
“Isso é o que nós estamos avançando com o ministro [da
Fazenda] Fernando Haddad. A ideia é fazer algo que seja firme, seguro e
permanente para não gerar surpresa para os estados, como aconteceu no ano
passado”, disse Fonteles.
Prazo
Os governadores têm pressa em recuperar os valores da
arrecadação do ICMS. Segundo o grupo, a expectativa é de que até o início de
março a solução com a anuência de todos os estados e poderes da República seja
construída.
“A pauta da reforma tributária é prioridade para o Fórum de
Governadores. Nós temos que avançar nessa matéria. Nós precisamos agora, neste
primeiro semestre, de medidas que possam mitigar os impactos que os estados vêm
tendo em decorrência da perda de receitas. Esse acordo que estamos construindo
de forma saudável, porque estamos em diálogo com todos os poderes. Nós saímos
daqui muito confiantes de que vamos avançar para que cheguemos finalmente a um
entendimento”, ressaltou a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra
(PT).
Pelo Twitter, após o encontro, o presidente do Senado,
Rodrigo Pacheco, afirmou que a Casa acompanha de perto as tratativas dos
governadores que buscam compatibilizar os termos do acordo com as necessidades
orçamentárias dos estados, mas sem que isso tenha impacto nas tarifas e
prejudique os consumidores. “Há consensos em relação a pontos importantes, em
benefício da segurança jurídica”, afirmou.
Além do governador do Piauí, Rafael Fonteles, também
participaram das reuniões, uma na residência oficial da Câmara dos Deputados, e
outra na residência oficial do Senado, os governadores do Amazonas, Wilson Lima
(União Brasil), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); do Rio Grande do
Norte, Fátima Bezerra (PT); a governadora em exercício do Distrito Federal,
Celina Leão, e o vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira (PDT); a primeira
vice-presidente do Consefaz, Cris Schimidt, e a procuradora-geral do Distrito
Federal, Ludmila Lavocat Galvão.
Histórico
O ICMS é um tributo estadual que incide sobre combustíveis e
outros serviços essenciais. No ano passado, foram aprovadas duas leis
complementares que reduziram as alíquotas desse item, levando a queda na
receita dos estados. Os governadores estimam que somente em 2022, após a
entrada em vigor das legislações, as perdas de arrecadação nos cofres dos
estados ultrapassaram R$ 33,5 bilhões.
A Lei Complementar 194 determina a aplicação de
alíquotas de ICMS pelo piso de 17% ou 18% para produtos e serviços essenciais
quando incidir sobre bens e serviços relacionados a combustíveis, gás natural,
energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. Já a Lei Complementar
192 unificou a forma de apuração do ICMS, especificamente sobre
combustíveis, que passou a ser por unidade de medida, em vez de um percentual
sobre o preço médio do produto vendido nos postos.
Uma das saídas para recuperar a arrecadação do imposto, está
na regulamentação de um dispositivo da Lei Complementar 194 que estabelece
compensação, por parte da União, quando a perda de receita de um estado exceda
5% em relação à arrecadação de 2021. Outros caminhos são as discussões via
Congresso Nacional, de uma reforma tributária, por exemplo, ou mesmo pelo STF,
que já tem ações que questionam a constitucionalidade das duas leis
complementares.
STF
Na segunda-feira (13), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucionais as regras que disciplinam a cobrança do ICMS em operações e prestações interestaduais destinadas a consumidor final e não ao contribuinte do tributo.
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